Escrever é brincar de ser Deus...
NÃO SEI BEM SE TENHO SEXO
QUANDO ESCREVO...
Sou o homem da história,
sou a mulher também, sou a avó que inventei, a melhor amiga do personagem
central. Eu sou a pior inimiga dela.
Se estou construindo um livro infantil, sou a que narra e a criança que escuta, sou o
monstro do Arranhão: sou o amiguinho, sou a fada, a bruxa, o boi da cara preta,
sou o dono da barraca da feira...
Não sei bem onde estou
quando escrevo: voando como uma ave sobre o cenário (eu preciso voar) e ao mesmo tempo perto a ponto de ouvir o descompassar do coração de um personagem; tão perto, mas tão
perto que ele deixa de ser ele, e passa a ser eu, e eu, não sei onde estou, porque eu não sou eu; sou ele...
Eu só faço sentido quando
escrevo.
Quando escrevo: eu rio do que escrevo, choro, sinto angustia, medo, tesão, amor, ódio, pena...
Entendi porque nasci escritora, sim nasci escritora!
Mas só depois dos 30 anos, pude entender que escrever era o que poderia me fazer o mais
feliz possível, desde então estou feliz...
A verdade é que é tão bom viver, que uma vida parece não me
bastar, quero ter outras; criar outras vidas, conduzi-las e deixar que elas conduzam
a minha vida também.
Escrever é brincar de ser Deus, no sentido mais bonito da
palavra...

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